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O eu do avesso

Eu do avesso – Se até a psicanálise tem camadas, imagina eu?

Freud deu o primeiro passo, vários outros caminharam seu chão, 

Alguns se perderam no caminho, outros não.

Winnicott, Klein, Lacan. Fiéis escudeiros.

Descobertas. Discordâncias. Contradição.

 

Sejamos originais, dizia Lacan, fale a tua fala, abstenha-se da adicção.

O que mais pode curar tanto quanto a liberdade se de poder pensar o que quiser?

Se penso, logo existo, máxima de nosso ilustre Descartes,

Se falo, logo vivo, máxima dessa pequena analista em construção. 

Penso que o pensar não nos faz tão vivos quanto o falar.

Falar do que dói, do que não dói. 

Falar através da fala,

Falar através do olhar, 

Falar através do silêncio, 

Falar através do chorar.

 

Por falar em falar, faláramos do silêncio. 

Doído, necessário.

Silêncio que precisa ser ouvido. 

Sem julgamentos, sem opinião. 

Neutros, atentos, suportando amorosamente o querer sem condição.

Formação de compromisso, sonhos, chistes, atos falhos, comportamentos repetitivos, sintomas.

Nossa mente é um parque de diversão. 

Questionamentos, conflitos.

Sr. Analista esteja de prontidão.

Trazer o conteúdo latente ao manifesto, interpretar os sonhos, se libertar da repetição.

Como fazer isso, sem gerar mais confusão?

 

Narcisismo?

Primário, secundário, hipercatexização.

Seriam estas linhas uma mistura do meu lado adulto com a minha infantilização? 

Como dizer a uma criança que ela e a mãe não são uma continuação?

Isso parece-me tão trágico.

Lembro-me quando aconteceu comigo. 

Como doeu. 

Na verdade, acho que ainda dói.

Me vejo tão parecida com a minha mãe, que muitas vezes preciso olhar a minha alma e me dizer que não.

Ela segue a trilha dela e eu ando o meu chão.

 

Dependente não sou, nem mesmo sou emoção. 

Razão também tenho dúvidas,

Só me resta a interrogação. 

Vou me curando aos poucos,

Conversando com meus traumas, medos e “perfeição”. 

Eu sou eu, e ao meu pai faltou entonação.

Ocupou-se brilhantemente da cadeira de pai, sentando na cadeira de mãe, 

Se em nossa casa ditasse uma regra,

Morreria com certeza, sem dó e sem compaixão.

Esse lugar era da nossa mãe e ninguém tomava ele não. 

Morreu! Com 60 anos,

De ataque do coração, 

Como diziam os “antigos”, 

Morreu porque era “bão. “

 

Hoje fico pensando, 

Como pode essa loucura? 

Não precisa essa mistura. 

Cada uma na sua figura.

Mãe deveria ser mãe, pai deveria ser pai, 

Cada qual tem seu lugar,

Tão doravante saber,

Cada um com sua importância, 

Cada qual com seu dever.

 

Masculino e feminino, 

Preto e branco,

Sol e lua,

As neuroses são criadas quando tudo se mistura, 

Ah, o id? 

Este então se recua.

Todo o mundo é quem? 

Quem é todo o mundo? 

Super ego grita alto, 

Narcisismo também,

Se eu não me virar do avesso,

Não vou conseguir ajudar ninguém.

 

Quanta coisa a investigar,

Quantas perguntas eu ainda tenho que me fazer? 

Se você está curioso, eu, nem queira saber!

Se Freud explica tudo, 

Explica-me sobre a culpa, 

Que me desola num breu,

Se até a psicanálise tem camadas, 

Imagina eu!

Flávia Aparecida Carvalho- Estudante de psicanálise
flaviacarvalhoadm81@gmail.com

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